sábado, 3 de maio de 2008

Reflexões...

Sábado à noite, um pouco frio. Fui tomar banho e resolvi resgatar um hábito antigo: tomar banho ouvindo música. Na minha vitrola hoje, Neil Young, meu canadense preferido.

Eis que, no meio do banho quente e relaxante, lembrei da longínqua fase de noitadas na minha vida. Bateu uma nostalgia ao pensar nos banhos de sábado à noite, onde eu pensava em que roupa vestir, onde eu iria, com quem eu combinaria de sair, nas expectativas daquela noite. Foi uma sensação gostosa, saudades disso. Noites intermináveis regadas a álcool, muitas conversas, muita música, muitas risadas, muitas descobertas, muitas reflexões...

Assim, foi inevitável pular para o que sempre me incomodou nesses anos todos de casamento: minha abstinência alcoólica. Ao contrário do que alguém possa pensar, não, não tenho problemas com álcool. Há alguns anos atrás até tentei me convencer que poderia sim ser isso, mas hoje sei que não.

Na verdade, parei de beber em solidariedade e apoio ao meu companheiro, que não bebeu nunca mais desde o nosso primeiro encontro, e que deixou bem claro que não gostaria de ter uma mulher bebendo ao seu lado.

No entanto, apesar de não ter visto problema nisso inicialmente e de não mais ter bebido (sabe como é uma mulher apaixonada...), hoje, muitos anos depois, percebo a falta que isso me faz.

Talvez fugindo disso, comecei a pensar que era melhor assim, pois minhas últimas épocas tinham sido de exageros constantes, e cogitei que poderia até mesmo ter problemas, talvez não sabendo qual era exatamente a hora de parar.

Os anos passaram, e eu bebi em algumas ocasiões em que não estava na companhia do meu marido, e percebi que tinha sido muito divertido, e que em nenhuma ocasião eu tinha passado do ponto.

Hoje percebo esse “artifício” que criei, ou seja, o pensamento de que poderia ter problemas com a bebida, talvez para justificar e tornar mais suportável a minha abstinência.

Há todo um discurso social e moral em volta disso, de que ninguém precisa de bebida para ser feliz, para se divertir, enfim, todos esses blá blá blás que estamos cansados de ouvir.

Seja lá verdade ou não, o fato é que eu sempre gostei de beber, de me sentir mais solta, mas desenvolta, pois sou uma pessoa muito tímida e reservada. Quer coisa mais gostosa que uma roda de amigos com suas bebidinhas e muita conversa animada?

Depois que parei, durante esses anos todos, percebi a brutal diferença na minha personalidade, pois continuo sendo uma pessoa reservada, que talvez passe até mesmo por antipática. Tem sido difícil ao longo dos anos estar em ambientes onde todos bebem e se divertem, e eu ali, tentando acompanhar, mas sabendo que não estou me divertindo assim como eles.

No meu banho hoje, ocorreu a idéia de que me sinto numa jaula. Já discuti isso várias vezes com meu companheiro, e já tentei me soltar e me convencer de que realmente beber não é necessário, mas confesso que não tenho obtido êxito. Era uma coisa extremamente prazerosa para mim, assim como é para a grande maioria das pessoas normais, que não se passam com excessos, pelo menos na grande maioria das vezes.

Assim, não tenho vontade de sair, de ver pessoas, ou, pior, de acompanhar pessoas que estão bebendo. Fico triste e ao mesmo tempo tentando me convencer de que isso é o melhor para mim.
Todos têm de ter sua válvula de escape. E eu ainda não achei uma que possa substituir o álcool. Admiro muito as pessoas que estão sempre alto astral e que não precisam de nada para serem alegres, sociáveis, e para se sentirem integrados no meio em que se encontram, mas infelizmente eu não sou assim.

Acho que estou começando a pirar por causa da proximidade da prova, a pressão está aumentando, e eu desesperadamente precisando desencanar, nem que seja por alguns poucos momentos...

Reflexões...

Um comentário:

Angela Fernandes disse...

Do meu ponto de vista, não há nada que não devemos fazer! Sempre que colocamos a pressão do "não posso", "não devo", nunca mais esquecemos a questão e somos levados a fazer ainda com mais frequência! Ou então vivemos na tristeza de não viver e não fazer o que gostamos!

Pelo que percebi, possivelmente o problema não está no alcool, mas na dificuldade de expressar um sorriso e uma gargalhada vida!
Já experimentou Yoga do Riso ou Terapia do Riso?? É maravilhoso para libertar o ser lindo e a criança divertida que existe em nós!
Também pode experimentar arte terapia... ;)

Beijinhos!
Ângela
http://casteloencantadodossonhos.blogs.sapo.pt/